quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Classica Antarctica 03 - Sol sol sol mais uma vez

Dia 13/12/2013 Sexta-feira Frei Rock Day

Acordei super cedo e a situação era a mesma da noite – um nevoeiro denso de cortar com faca cobria toda a baia Maxwell. Já era de se esperar que não haveria vôo pela manhã e ficamos em standby nesse tempo. Eu aproveitei para organizar minhas coisas e fazer uma pequena mudança – eu iria para a proa do navio, na cabine 301. Como meu querido amigo Bjorn estava chegando no próximo vôo, Loli dividiu novamente as cabines e colocou Bjorn com Nico, no meu lugar e com isso eu ganhei uma cabine só para mim. Por um lado é bom pois ganho privacidade, mas por outro é ruim pois eu acabava acordando com o despertador do Nico.

Logo depois do almoço Mariano me pediu para ajudar no desembarque em Ardley island, uma pequena ilhota bem perto da base e praticamente na frente do nosso ponto de fundeio. Nevava muito e a visibilidade era baixíssima, mas pimba! Veio a chamada de emergência – o vôo iria decolar de Punta Arenas em uma hora e teríamos que estar prontos para a faina de troca de passageiros. Tudo correu como planejado e rápido. Pegamos as malas, subimos com a Van para a pista, o avião chegou e trocamos as malas em 20 minutos. No entando, os passageiros que estavam chegando eram mais numerosos – 61, e as malas muito mais pesadas. Acho que transportamos mais ou menos uma tonelada e meia de material (Fácil!) e não demorou muito o navio tomou seu rumo para Spert Island para o programa do dia seguinte. Era minha primeira noite naquela cabine nova e o balanço gostoso e a privacidade vieram em excelente hora.

Hector e seu Big Foot


Dia 14/12/2013 Sábado Cierva Cove & Hydruga

Meu relógio tocou pontualmente e olhei para fora pela janela já sentindo que o dia seria diferente. Muito swell e muito vento do lado desprotegido da ilha. Mesmo antes do café da manhã veio a decisão de Mariano, trocamos Spert Island para Cierva Cove que ficava muito mais protegida. A idéia era ter um passeio de Zodiac entre gelo e icebergs por ali. Fiz par com Pernile e partimos para dentro da baia brigando com o gelo mas conseguindo se aproximar bem da costa, onde milhares de pinguins gentoos entram em terra em uma ruidosa Penguin Highway. Continuamos pela baia adentro até que “puff!”, Pernile atingiu um pedaço de gelo muito duro e abriu um rombo no barco dela. Nada muito perigoso, mas passei mais da metade dos passageiros dela para o meu bote e continuamos mais uns minutos antes de voltarmos ao barco. Ainda vimos uma preguiçosa foca de Weddell dormindo em uma placa de gelo, ignorando nossa presença por ali.

À tarde atravessamos o canal de Gerlache rumo a Hydruga, para um desembarque também longo e com sol. Nada de muito diferente desde nossa última visita por ali, a não ser o cheiro bem mais forte de guano que saia da pinguineira.  Fizemos um passeio normal de 2h30 e voltamos para o barco para janta e depois um pouco de bate-papo no bar, até que veio o alarme – orcas ! Dessa vez encontramos um grupo grande do tipo A, o maior de todos, literalmente brincando ao redor do barco. Por mais de duas horas ficamos entre umas 20 a 25 orcas, com vários filhotes e uns 3 grandes machos, navegando em círculos e tirando fotos, no frio congelante que estava de noite.


Orca show in Gerlache

Fui dormir logo depois já bastante cansado do movimento e aguardando o próximo dia mais ao sul.

Dia 15/12/2013 Domingo Lemaire, Petermann e Verdnasky

O dia amanheceu fechado e com muito gelo no canal de Lemaire, até um pouco de neve, mas assim que atravessamos o canal e chegamos na ilha Petermann, saiu o sol e o vento praticamente parou. Assim que eu desembarquei, Mariano me pediu para ajudar Nico com o grupo de Snowshoe, que consiste em um sapato que mais parece uma tábua de passar roupa e facilita sua caminhada na neve. Fantástico ! fizemos uma tremenda volta na ilha passando por lugares que eu ainda não conhecia. Luz, sol, céu azul, fotos fantásticas da cordilheira da península e da caminhada. Eu fui abrindo a fila e Nico foi fechando. Aproveitei muito ! Pena que acabou depois de apenas 3 horas.
O navio continuou rumo sul até chegar em Verdnasky, para desembarcarmos na estação ucraniana e caminharmos pelo mar congelado entre as ilhas Argentinas. O sol continuava fantástico e com o céu aberto deu para aproveitar bem a paisagem ao redor, embora eu não curta muito essa base. Não sei explicar o porquê. Zarpamos de lá as 17 hs rumo a Lemair novamente dessa vez passando para norte. Sol forte, fiz umas boas fotos com a câmera apontando para a popa do navio, com o sol brilhando, e deixando nossa posição mais ao sul mais uma vez. Estávamos rumando para Paradise Bay e o cansaço tomou conta de mim. Fui dormir precisando muito dormir. O dia seguinte seria mais uma vez bem cheio.
Pinguins pulando para nadar em Verdnasky


Dia 16/12/2013 Segunda-feira Paradise Bay e Neko + BBQ

Entramos em Paradise Bay bem cedinho de manhã e ainda navegávamos entre icebergs quando meu relógio despertou. No briefing fiquei com a tarefa de organizar o primeiro grupo na base Almirante Brown e ainda dar uma olhada (e manutenção) no memorial que tem na ilha. É uma pequena caixa de plástico com um livro dentro, em homenagem a um guia de expedição que morreu em 1995. O memorial fica em uma pedra acima da estação e estava em péssimas condições, pois havia entrado água dentro da caixa plástica. Deixei o livro secando e troquei os plásticos de proteção para tentar salvar um pouco da história antártica. No livro, uma amiga conta um pouco da vida do guia, e as pessoas que ali passam e lêem fazem sua contribuição, não só em homenagem ao explorador, mas também à própria Antártica e sua beleza e perigos. Não fiquei muito por ali porque tinha ainda que levar um grupo a um cruzeiro de zodiac até o glaciar Skontorp, entre icebergs e pedaços de gelo por toda a baia, mas ainda deu tempo de coletar mais uma amostra de solo para a Erli.

O memorial em Alm. Brown

Voltamos para o barco para o tão aguardado almoço e pouco tempo depois já estávamos dentro da baia Anvord seguindo rumo a Neko Harbour. O sol forte já dava sinais de que a caminhada seria “quente”. Já na subida ao pico de Neko várias pessoas tiravam os casacos tentando refrescar um pouco. Sol forte, muito protetor solar e chapéu de aba larga. Combinação perfeita para Neko. A vista do glacier estava espetacular com toda aquela luz, mas havia pouco vento e não tivemos nenhum espetáculo de quebra de gelo como da ultima vez, apesar de uma ou duas pequenas avalanches no topo do glaciar. Foi uma tarde longa, com um desembarque de 3 horas, e por ultimo eu ainda fiquei de zodiac driver para ajudar no transporte de passageiros e carga, já sentindo o cheiro maravilhoso de carne assada que saia do navio. Era dia de churrasco a bordo.

O Antarctic Barbecue aconteceu ali mesmo em Neko, em baixa velocidade saindo da baia, e ainda assim com um ventinho frio. Logo depois fomos todos para o Panorama Lounge para o Antarctic Quis organizado mais uma vez pelo Ben e pelo Mike, enquanto eu organizava um pouco minhas fotos no computador. Foi ali que Mariano me deu a grata e tão esperada “folga” para o dia seguinte. Fui dormir tranquilo, embora bastante cansado. As férias curtas no dia seguinte vieram em boa hora.

Dia 17/12/2013 Terça-feira Deception & Baily Head

É estranho como reagimos quando temos tempo. Embora eu soubesse que minha manhã era livre, acordei pontualmente com o relógio, mas ainda fiquei de preguiça na cama para dar tempo de tomar café em paz e com pouca gente na volta. Estávamos em Deception e eu tinha planejado curtir minha manhã. O navio foi para Telephon Bay, no fundo da baia dentro da cratera e eu coloquei um casaco azul, minhas calças a prova d’água e troquei meu chapéu por um boné. Estava vestido como um passageiro qualquer e desembarquei como um, sem rádio e apenas com o objetivo de curtir minha manhã livre de trabalho. O passeio foi bom, um pouco curto, mas bom, e terminei assistindo os bravos (e malucos) passageiros no Polar Plunge. Voltamos a bordo logo em seguida e o navio se deslocou para fora da ilha, para Baily Head, nosso desembarque logo depois do almoço. Nesse período minhas curtíssimas férias haviam acabado e voltei a ativa com força total. Descemos na praia com a maré super baixa e seguimos para dentro da ruidosa colônia de Chinstraps, sob um sol fraco e sem vento, e que deixava a temperatura local bastante alta. Ali no reino dos Chinstraps, os pinguins não tem medo algum e um deles veio bicar meu pé, talvez testando o sabor da borracha das minhas botas ou só vendo se eu era uma foca diferente.

Chinstrap curioso em Baily Head


Voltamos a bordo para o cocktail do Capitão e o jantar de despedida, e assim, navegando novamente para a Ilha Rei George e a baia Maxwell, terminava mais uma clássica antártica. Aparentemente teríamos vôo bem cedo mas como tínhamos um outro navio a nossa frente, o “Sea Adventure”, não sabíamos o que ia acontecer na baia. Por isso parei o blog por aqui, as 20:30 hs da noite, na esperança de ainda hoje publicar na internet de Frei. Dormir bem era meu plano para hoje.


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