Dia 13/12/2013 Sexta-feira
Frei Rock Day
Acordei super cedo e a situação era a mesma da noite – um nevoeiro denso
de cortar com faca cobria toda a baia Maxwell. Já era de se esperar que não
haveria vôo pela manhã e ficamos em standby nesse tempo. Eu aproveitei para
organizar minhas coisas e fazer uma pequena mudança – eu iria para a proa do
navio, na cabine 301. Como meu querido amigo Bjorn estava chegando no próximo
vôo, Loli dividiu novamente as cabines e colocou Bjorn com Nico, no meu lugar e
com isso eu ganhei uma cabine só para mim. Por um lado é bom pois ganho
privacidade, mas por outro é ruim pois eu acabava acordando com o despertador
do Nico.
Logo depois do almoço Mariano me pediu para ajudar no desembarque em Ardley
island, uma pequena ilhota bem perto da base e praticamente na frente do nosso
ponto de fundeio. Nevava muito e a visibilidade era baixíssima, mas pimba! Veio
a chamada de emergência – o vôo iria decolar de Punta Arenas em uma hora e teríamos
que estar prontos para a faina de troca de passageiros. Tudo correu como
planejado e rápido. Pegamos as malas, subimos com a Van para a pista, o avião
chegou e trocamos as malas em 20 minutos. No entando, os passageiros que
estavam chegando eram mais numerosos – 61, e as malas muito mais pesadas. Acho
que transportamos mais ou menos uma tonelada e meia de material (Fácil!) e não demorou
muito o navio tomou seu rumo para Spert Island para o programa do dia seguinte.
Era minha primeira noite naquela cabine nova e o balanço gostoso e a
privacidade vieram em excelente hora.
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| Hector e seu Big Foot |
Dia 14/12/2013 Sábado Cierva Cove & Hydruga
Meu relógio tocou pontualmente e olhei para fora pela janela já sentindo
que o dia seria diferente. Muito swell e muito vento do lado desprotegido da
ilha. Mesmo antes do café da manhã veio a decisão de Mariano, trocamos Spert
Island para Cierva Cove que ficava muito mais protegida. A idéia era ter um
passeio de Zodiac entre gelo e icebergs por ali. Fiz par com Pernile e partimos
para dentro da baia brigando com o gelo mas conseguindo se aproximar bem da
costa, onde milhares de pinguins gentoos entram em terra em uma ruidosa Penguin
Highway. Continuamos pela baia adentro até que “puff!”, Pernile atingiu um
pedaço de gelo muito duro e abriu um rombo no barco dela. Nada muito perigoso,
mas passei mais da metade dos passageiros dela para o meu bote e continuamos
mais uns minutos antes de voltarmos ao barco. Ainda vimos uma preguiçosa foca
de Weddell dormindo em uma placa de gelo, ignorando nossa presença por ali.
À tarde atravessamos o canal de Gerlache rumo a Hydruga, para um
desembarque também longo e com sol. Nada de muito diferente desde nossa última
visita por ali, a não ser o cheiro bem mais forte de guano que saia da
pinguineira. Fizemos um passeio normal
de 2h30 e voltamos para o barco para janta e depois um pouco de bate-papo no
bar, até que veio o alarme – orcas ! Dessa vez encontramos um grupo grande do
tipo A, o maior de todos, literalmente brincando ao redor do barco. Por mais de
duas horas ficamos entre umas 20 a 25 orcas, com vários filhotes e uns 3
grandes machos, navegando em círculos e tirando fotos, no frio congelante que
estava de noite.
| Orca show in Gerlache |
Fui dormir logo depois já bastante cansado do movimento e aguardando o
próximo dia mais ao sul.
Dia 15/12/2013 Domingo Lemaire, Petermann e Verdnasky
O dia amanheceu fechado e com muito gelo no canal de Lemaire, até um
pouco de neve, mas assim que atravessamos o canal e chegamos na ilha Petermann,
saiu o sol e o vento praticamente parou. Assim que eu desembarquei, Mariano me
pediu para ajudar Nico com o grupo de Snowshoe, que consiste em um sapato que
mais parece uma tábua de passar roupa e facilita sua caminhada na neve.
Fantástico ! fizemos uma tremenda volta na ilha passando por lugares que eu
ainda não conhecia. Luz, sol, céu azul, fotos fantásticas da cordilheira da
península e da caminhada. Eu fui abrindo a fila e Nico foi fechando. Aproveitei
muito ! Pena que acabou depois de apenas 3 horas.
O navio continuou rumo sul até chegar em Verdnasky, para desembarcarmos
na estação ucraniana e caminharmos pelo mar congelado entre as ilhas
Argentinas. O sol continuava fantástico e com o céu aberto deu para aproveitar bem
a paisagem ao redor, embora eu não curta muito essa base. Não sei explicar o
porquê. Zarpamos de lá as 17 hs rumo a Lemair novamente dessa vez passando para
norte. Sol forte, fiz umas boas fotos com a câmera apontando para a popa do
navio, com o sol brilhando, e deixando nossa posição mais ao sul mais uma vez.
Estávamos rumando para Paradise Bay e o cansaço tomou conta de mim. Fui dormir
precisando muito dormir. O dia seguinte seria mais uma vez bem cheio.
| Pinguins pulando para nadar em Verdnasky |
Dia 16/12/2013 Segunda-feira Paradise Bay e Neko + BBQ
Entramos em Paradise Bay bem cedinho de manhã e ainda navegávamos entre
icebergs quando meu relógio despertou. No briefing fiquei com a tarefa de
organizar o primeiro grupo na base Almirante Brown e ainda dar uma olhada (e
manutenção) no memorial que tem na ilha. É uma pequena caixa de plástico com um
livro dentro, em homenagem a um guia de expedição que morreu em 1995. O
memorial fica em uma pedra acima da estação e estava em péssimas condições,
pois havia entrado água dentro da caixa plástica. Deixei o livro secando e
troquei os plásticos de proteção para tentar salvar um pouco da história
antártica. No livro, uma amiga conta um pouco da vida do guia, e as pessoas que
ali passam e lêem fazem sua contribuição, não só em homenagem ao explorador,
mas também à própria Antártica e sua beleza e perigos. Não fiquei muito por ali
porque tinha ainda que levar um grupo a um cruzeiro de zodiac até o glaciar
Skontorp, entre icebergs e pedaços de gelo por toda a baia, mas ainda deu tempo
de coletar mais uma amostra de solo para a Erli.
| O memorial em Alm. Brown |
Voltamos para o barco para o tão aguardado almoço e pouco tempo depois
já estávamos dentro da baia Anvord seguindo rumo a Neko Harbour. O sol forte já
dava sinais de que a caminhada seria “quente”. Já na subida ao pico de Neko
várias pessoas tiravam os casacos tentando refrescar um pouco. Sol forte, muito
protetor solar e chapéu de aba larga. Combinação perfeita para Neko. A vista do
glacier estava espetacular com toda aquela luz, mas havia pouco vento e não
tivemos nenhum espetáculo de quebra de gelo como da ultima vez, apesar de uma
ou duas pequenas avalanches no topo do glaciar. Foi uma tarde longa, com um
desembarque de 3 horas, e por ultimo eu ainda fiquei de zodiac driver para
ajudar no transporte de passageiros e carga, já sentindo o cheiro maravilhoso
de carne assada que saia do navio. Era dia de churrasco a bordo.
O Antarctic Barbecue aconteceu ali mesmo em Neko, em baixa velocidade
saindo da baia, e ainda assim com um ventinho frio. Logo depois fomos todos
para o Panorama Lounge para o Antarctic Quis organizado mais uma vez pelo Ben e
pelo Mike, enquanto eu organizava um pouco minhas fotos no computador. Foi ali
que Mariano me deu a grata e tão esperada “folga” para o dia seguinte. Fui
dormir tranquilo, embora bastante cansado. As férias curtas no dia seguinte vieram
em boa hora.
Dia 17/12/2013 Terça-feira Deception & Baily Head
É estranho como reagimos quando temos tempo. Embora eu soubesse que
minha manhã era livre, acordei pontualmente com o relógio, mas ainda fiquei de
preguiça na cama para dar tempo de tomar café em paz e com pouca gente na
volta. Estávamos em Deception e eu tinha planejado curtir minha manhã. O navio
foi para Telephon Bay, no fundo da baia dentro da cratera e eu coloquei um
casaco azul, minhas calças a prova d’água e troquei meu chapéu por um boné.
Estava vestido como um passageiro qualquer e desembarquei como um, sem rádio e
apenas com o objetivo de curtir minha manhã livre de trabalho. O passeio foi
bom, um pouco curto, mas bom, e terminei assistindo os bravos (e malucos)
passageiros no Polar Plunge. Voltamos a bordo logo em seguida e o navio se
deslocou para fora da ilha, para Baily Head, nosso desembarque logo depois do
almoço. Nesse período minhas curtíssimas férias haviam acabado e voltei a ativa
com força total. Descemos na praia com a maré super baixa e seguimos para
dentro da ruidosa colônia de Chinstraps, sob um sol fraco e sem vento, e que
deixava a temperatura local bastante alta. Ali no reino dos Chinstraps, os
pinguins não tem medo algum e um deles veio bicar meu pé, talvez testando o
sabor da borracha das minhas botas ou só vendo se eu era uma foca diferente.
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| Chinstrap curioso em Baily Head |
Voltamos a bordo para o cocktail do Capitão e o jantar de despedida, e
assim, navegando novamente para a Ilha Rei George e a baia Maxwell, terminava
mais uma clássica antártica. Aparentemente teríamos vôo bem cedo mas como tínhamos
um outro navio a nossa frente, o “Sea Adventure”, não sabíamos o que ia
acontecer na baia. Por isso parei o blog por aqui, as 20:30 hs da noite, na
esperança de ainda hoje publicar na internet de Frei. Dormir bem era meu plano
para hoje.


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