terça-feira, 12 de novembro de 2013

Drake Drake


Os dias em Punta Arenas voam porque o trabalho nunca para. Para quem vê as fotos, parece apenas diversão e passeio. Talvez porque seja tudo diferente, é essa a impressão, mas o que temos nesses poucos dias no escritório central, na verdade é uma quantidade enorme de trabalho detalhado na operação, pequenas (mas infinitas) coisas para organizar, pois lá na Antártica não teremos tempo nem chance de corrigir nada. Tudo tem que estar perfeito.

   
Oficina da Antarctica XXI

Trabalhando na oficina

A “oficina” em um dia normal de trabalho. Só não é 24 horas por dia porque precisamos de descanso também. No dia 8 à noite, tivemos nosso tradicional churrasco de despedida na casa de Dom Jaime, um dos donos e também o presidente do conselho da Antártica XXI e logo pelo dia 9 de manhã, as 06h30, acordamos cedo e enfiamos meia tonelada de bagagem e material em uma van rumo a Ushuaia.
Ovelhas
Churrasco na casa de Dom Jaime
Nosso transporte para Ushuaia
Passo Punta Delgada (um pequeno Ferry)


Foram 13 horas de viagem por uma estrada que mesclava terra e pedra batida e um asfalto bem ruim e muitas ovelhas e guanacos. Passamos pelo Passo Garibaldi por volta das 7h da noite chegando bastante casados e famintos à Ushuaia. Pelo menos valeu a pena pela fantástica comida del Bodegon fueguino. Um maravilhoso restaurante no fim do mundo com excelente cerveja artesanal austral.  Ficamos no hotel Los Naranjos para uma pernoite curta, pois entraríamos no navio no dia seguinte.
A caminho de Ushuaia
Passo Garibaldi (bela vista)
El Bodegón


Dia seguinte (10/11) entramos no navio para começar a arrumação – prender cartazes, arrumar o escritório, papéis e mais papéis, tudo limpo e arrumado para a temporada. Tinhamos apenas um dia para fazer tudo isso e deu tempo com folga. Tanto que a tarde até deu para dar uma volta pela cidade, visitar os lugares conhecidos e os velhos amigos. No Irish Pub Ideal, bem no centro, encontramos ainda nosso boné de expedição, assinado e pendurado na temporada passada. Nesse bar, pessoas que viajam por praticamente metade do mundo ali passam e deixam seus recados para quem quiser ler. Do outro lado da rua, era possível ver o Ocean Nova no porto, reluzente. A minha casa na Antartica esperava por mim ali no porto. Ainda deu tempo de uma passada no bar para jogar conversa fora com os amigos e depois cama...o dia seguinte esperava pela gente com várias coisas para se fazer.
Caminhando por Ushuaia...o Ocean Nova ao fundo.

Assinaturas no boné da última temporada


Dia 11 foi o dia “D”. Às 3 hs pontualmente abriríamos o navio para receber os turistas que iriamos levar para a primeira viagem. Eu ainda tinha que fazer compra para o escritório, tarefa complicada, pensando no curtíssimo tempo que tínhamos. Miete, nossa shopkeeper saiu comigo e mais Diana, atrás de várias pequenas e indispensáveis coisas. Passamos 4 horas correndo entre as lojas de Ushuaia, eu com meu “portunhol” básico, mas me fazendo entender, e Miete com um chileno as vezes rápido demais para os ouvidos dos argentinos, mas conseguimos nos safar a tempo de voltar a bordo e ainda por cima ver Sebastian Arrebola. Um grande amigo argentino que foi meu primeiro líder de expedição em 2009 e estava pelo porto em um outro trabalho e veio dar um abraço de despedida. Legal ver os amigos antárticos.
Navio pronto para zarpar de Ushuaia

Os passageiros começaram a chegar pontualmente às 15hs e em menos de duas horas tínhamos o navio pronto para zarpar. Seguimos para Port Williams, do outro lado do canal, durante o cocktail the boas vindas e a janta, e já comecei a entrar no ritmo. Quando olhei o relógio só faltavam 15 minutos para me aprontar para minha primeira tarefa: guiar um grupo pelas ruas de Port Williams. Nigel (um inglês de quase 50 anos super bem humorado e especialista em pássaros e história antártica) pegou o primeiro grupo para caminhar pela linha de costa, Johnatan (ou apenas Jhono), o francês fotógrafo da expedição tomou a frente de um grupo de umas 10 pessoas para o Iate Clube, e eu peguei o resto, uns 20 passageiros, para visitar o principal monumento de Port Williams – a proa do Yelcho, o barco chileno que salvou o grupo de Shackelton da Ilha Elefante quase 100 anos atrás. Como estava escuro e chovendo (!) decidimos apenas tirar umas fotos e seguir para o “Mikalve” o bar do Iate Clube que fica instalado dentro de um barco antigo, cheio de bandeiras e recados de iatistas que atravessaram o Drake e foram para a Antártica. O Bar “exala” um cheiro de história, de conquistas e de superações, muitas histórias engraçadas e outras tristes. É um luar mágico, como a porta de um mundo que parece meio desconectado do resto do planeta.
Uma passada no bar Mikalve antes de dormir.


Saímos de lá um pouco antes das 23 hs em uma noite silenciosa e fria, caminhando por uns 15 minutos até o porto e o navio que nos aguardava.  Tudo pronto para começar a viagem – partimos a meia noite em ponto rumo ao Cab o de Hornos e ao Drake. Eu ainda fiquei arrumando minhas coisas, amarrando tudo, porque na minha previsão do tempo o Drake não seria fácil. Fui dormir pra lá de1 hora da manhã, cansado e com o corpo moído, mas feliz de estar indo mais uma vez para Neverland. Algumas horas depois entramos no Drake, mas eu estava dormindo. Então o próximo post será quando eu tiver um pouco mais de tempo.

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