Os dias em Punta Arenas voam porque o trabalho nunca para.
Para quem vê as fotos, parece apenas diversão e passeio. Talvez porque seja
tudo diferente, é essa a impressão, mas o que temos nesses poucos dias no
escritório central, na verdade é uma quantidade enorme de trabalho detalhado na
operação, pequenas (mas infinitas) coisas para organizar, pois lá na Antártica
não teremos tempo nem chance de corrigir nada. Tudo tem que estar perfeito.
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| Oficina da Antarctica XXI |
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| Trabalhando na oficina |
A “oficina” em um dia normal de trabalho. Só não é 24 horas
por dia porque precisamos de descanso também. No dia 8 à noite, tivemos nosso tradicional churrasco de
despedida na casa de Dom Jaime, um dos donos e também o presidente do conselho
da Antártica XXI e logo pelo dia 9 de manhã, as 06h30, acordamos cedo e enfiamos
meia tonelada de bagagem e material em uma van rumo a Ushuaia.
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| Ovelhas |
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| Churrasco na casa de Dom Jaime |
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| Nosso transporte para Ushuaia |
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| Passo Punta Delgada (um pequeno Ferry) |
Foram 13 horas de viagem por uma estrada que mesclava terra
e pedra batida e um asfalto bem ruim e muitas ovelhas e guanacos. Passamos pelo
Passo Garibaldi por volta das 7h da noite chegando bastante casados e famintos
à Ushuaia. Pelo menos valeu a pena pela fantástica comida del Bodegon fueguino.
Um maravilhoso restaurante no fim do mundo com excelente cerveja artesanal
austral. Ficamos no hotel Los Naranjos
para uma pernoite curta, pois entraríamos no navio no dia seguinte.
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| A caminho de Ushuaia |
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| Passo Garibaldi (bela vista) |
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| El Bodegón |
Dia seguinte (10/11) entramos no navio para começar a
arrumação – prender cartazes, arrumar o escritório, papéis e mais papéis, tudo
limpo e arrumado para a temporada. Tinhamos apenas um dia para fazer tudo isso
e deu tempo com folga. Tanto que a tarde até deu para dar uma volta pela
cidade, visitar os lugares conhecidos e os velhos amigos. No Irish Pub Ideal,
bem no centro, encontramos ainda nosso boné de expedição, assinado e pendurado
na temporada passada. Nesse bar, pessoas que viajam por praticamente metade do
mundo ali passam e deixam seus recados para quem quiser ler. Do outro lado da
rua, era possível ver o Ocean Nova no porto, reluzente. A minha casa na
Antartica esperava por mim ali no porto. Ainda deu tempo de uma passada no bar
para jogar conversa fora com os amigos e depois cama...o dia seguinte esperava
pela gente com várias coisas para se fazer.
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| Caminhando por Ushuaia...o Ocean Nova ao fundo. |
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| Assinaturas no boné da última temporada |
Dia 11 foi o dia “D”. Às 3 hs pontualmente abriríamos o
navio para receber os turistas que iriamos levar para a primeira viagem. Eu
ainda tinha que fazer compra para o escritório, tarefa complicada, pensando no
curtíssimo tempo que tínhamos. Miete, nossa shopkeeper saiu comigo e mais
Diana, atrás de várias pequenas e indispensáveis coisas. Passamos 4 horas
correndo entre as lojas de Ushuaia, eu com meu “portunhol” básico, mas me
fazendo entender, e Miete com um chileno as vezes rápido demais para os ouvidos
dos argentinos, mas conseguimos nos safar a tempo de voltar a bordo e ainda por
cima ver Sebastian Arrebola. Um grande amigo argentino que foi meu primeiro
líder de expedição em 2009 e estava pelo porto em um outro trabalho e veio dar
um abraço de despedida. Legal ver os amigos antárticos.
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| Navio pronto para zarpar de Ushuaia |
Os passageiros começaram a chegar pontualmente às 15hs e em
menos de duas horas tínhamos o navio pronto para zarpar. Seguimos para Port
Williams, do outro lado do canal, durante o cocktail the boas vindas e a janta,
e já comecei a entrar no ritmo. Quando olhei o relógio só faltavam 15 minutos
para me aprontar para minha primeira tarefa: guiar um grupo pelas ruas de Port
Williams. Nigel (um inglês de quase 50 anos super bem humorado e especialista
em pássaros e história antártica) pegou o primeiro grupo para caminhar pela
linha de costa, Johnatan (ou apenas Jhono), o francês fotógrafo da expedição
tomou a frente de um grupo de umas 10 pessoas para o Iate Clube, e eu peguei o
resto, uns 20 passageiros, para visitar o principal monumento de Port Williams
– a proa do Yelcho, o barco chileno que salvou o grupo de Shackelton da Ilha
Elefante quase 100 anos atrás. Como estava escuro e chovendo (!) decidimos
apenas tirar umas fotos e seguir para o “Mikalve” o bar do Iate Clube que fica
instalado dentro de um barco antigo, cheio de bandeiras e recados de iatistas
que atravessaram o Drake e foram para a Antártica. O Bar “exala” um cheiro de
história, de conquistas e de superações, muitas histórias engraçadas e outras
tristes. É um luar mágico, como a porta de um mundo que parece meio
desconectado do resto do planeta.
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| Uma passada no bar Mikalve antes de dormir. |
Saímos de lá um pouco antes das 23 hs em uma noite
silenciosa e fria, caminhando por uns 15 minutos até o porto e o navio que nos
aguardava. Tudo pronto para começar a
viagem – partimos a meia noite em ponto rumo ao Cab o de Hornos e ao Drake. Eu
ainda fiquei arrumando minhas coisas, amarrando tudo, porque na minha previsão
do tempo o Drake não seria fácil. Fui dormir pra lá de1 hora da manhã, cansado
e com o corpo moído, mas feliz de estar indo mais uma vez para Neverland.
Algumas horas depois entramos no Drake, mas eu estava dormindo. Então o próximo
post será quando eu tiver um pouco mais de tempo.
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